Mosca na Boca


Palavras cruzadas e olhares trocados.
São as farpas humanas, numa guerra entre orgulhos.
Vem de mim e de você, essa altivez que nos devora.
Sociedade secreta, que enquanto o Gandhi dorme,
vamos a forra, vamos a lona.
De carruagem a aboboras, vamos em um segundo, através
da boca, "assim como quem vai a roma", vamos ao fundo
do poço.
Bocas de lata, de nada, fanáticas.
A minha, a sua, a minha a sua, a minha...
Para que servem as bocas ?
Abro a boca pra falar dos seus beiços, ou da falta deles.
Falo do tamanho da sua língua o dos seus dentes.
Cala-te boca, que não sabe o que dizes.
Bocas que enxergam mais que os olhos, enxergam os podres do mundo,
enxergam podres onde não tem.
Eu amo a minha boca, é ela que não ama ninguém.
Passe um dia com a minha boca e veja o mal que ela é capaz.

Qualquer Dia é Poesia

não penso em você, mas não te esqueço
deita no meu peito
inventei a vida pra te amar
encho o peito de ar,
que tal mais uma volta ?
me roube um beijo e uma mordida
dê meia volta e me abrace
ainda não nos amamos hoje
já está pronto ?
essa sombra serve
a grama é a cama
nessa selva de sentimentos
sou um girassol buscando luz
sigo seu rumo, vaga-lume
me entorpece
com suas curvas
derrama em mim os seus beijos
me extrapola e devora


Ana Laurentino. Tecnologia do Blogger.