Respire e regue-se

Nem sempre a inspiração vem. Você se desespera, e então, busca informação para chegar até sua casa. Bate em sua porta freneticamente, não há nada que você queira mais do que reencontrá-la e gozar de um pouco de sua atenção. Ela aparentemente te ignora e você se entrega ao choro, se rende a circunstância. Fraco, sem esperanças e muito menos a tal da inspiração, que sequer te recebeu, retorna pra casa desejando nunca mais querer se inspirar. Você buscava incessantemente a cura para as feridas de um amor que já tinha partido. Com os olhos voltados para a estrada, para o caminho que o antigo amor tomara, não percebeu cuidou das próprias feridas, que perfuravam a sua mente. Em um súbito pensamento escapista, desejou morrer, mas um resquício de honra o manteve vivo. A sua barba crescia e você cada mais se desfigurava, já havia se despido do desejo pela vida. Foi quando uma pequena criança bateu em sua porta, não tinha uma das mãos, mas vendia quadros, que ela mesma pintava. Desejou não passar por isso, que esse momento não houvesse existido, foi demais para o seu ego se sentir inferior a uma criança. A curiosidade o corroeu, decidiu então comprar um dos quadros, com os últimos tostões que tinha, e assim fez. Para tanto, convidou a criança para entrar, pois estava intrigado da perseverança que tinha aquela criança. Para a sua surpresa, a criança era orfã, não tinha casa e vivia dos panos e madeiras velhas que coletava, dos quais produzia seus quadros. Sentiu-se novamente insignificante. Você se sentiu perturbado com o que via a sua frente, quando conseguiu parar e olhar para si. Perguntou então a criança de onde ela tirava ânimo a cada amanhecer nas ruas. Ela o respondeu sabiamente, dizendo a você que o seu passado, agora era apenas uma fonte de aprendizado, que o presente era o lugar para progredir e que estar vivo o bastava para se inspirar e estar preparado para amanhã estar ou não. Disse também que a alma é que é a alma do negócio, cuidar da sua própria árvore, ou seja, de si próprio, faz com que ela dê bons frutos e que um deles poode ser a inspiração que tanto procurou mas que só se entrega a quem tem sede de viver. Inspire, expire e dê mais um passo.

Traga-me cores

Sinceramente,

vou deixar a alegria me consumir. Não haverá espaços para as construções depressivas da minha mente, nem tão pouco de mentes alheias. Sairei das sombras, das quais construí e sob as quais por muitos anos vivi. Nego, tudo que me condena a dor e rejeito qualquer qualquer tipo de submissão da minha estima. Vou prezar pelos meus anseios, sem me esquecer dos do próximo que são inerentes aos meus. A felicidade é voluntária, mas não solitária.

Pintei meu mundo a cores, trouxe flores para todo dia regar. Junto as cores e flores, trouxe amores, para que a minha alegria possa amar, se entregar. Compilei a minha felicidade. Não pude mais esperar, mas se vier, se pinte e traga-me mais cores,

sinceramente.

O amor não sabe esperar

Ah, o amor não sabe contar:
Tem as horas como meses
Os dias como anos
e uma curta ausência pode equivaler a um vida.

Nascer, morrer, renascer e ainda progredir sem cessar, tal é a lei.
Use o tempo ao seu favor, não há obstáculos para quem sabe e quer caminhar.

Agora, é só o que temos

Quando todos estão sonhando com uma vida melhor
Neste mundo dividido pelo medo
Nós precisamos acreditar que há uma razão para estarmos aqui
Há uma razão para estarmos aqui ?

Estes são os anos que nos foram dados
Estes são os momentos
Estas são as horas
Vamos fazer o melhor de nossas vidas !

A sua

Desejo algo mais quente, um pouco mais de ardor
que me ames infinitamente
sempre me tenha, me tome pra si
me ame como um jovem inconsequente
queira me como um adulto decente.

que eu seja seu objeto de maior desejo
que seja eu o limite de sua sanidade
que eu esteja nos teus sonhos mais eróticos
que o meu corpo seja o inicio diário do prazer

que eu seja sua,
ainda que o tempo com tudo termine,
a sua alegria.

Erro de Português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena !
Fosse uma manhã de sol
O índio teria despido o português.

(Oswald de Andrade)

Pausa nos meus posts, para uma reverência.
A força da linguagem poética é imensurável, repassa e cria ideias que perduram pelos tempos.

Dívida Perdoada

só te peço que aceite o que te ofereço
não desejo nada mais que seu apreço
do seu amor já desisti a muito tempo
guarde a sua "sentimentália"
jamais pedi algo em troca
é um erro cobrar o amor que se devota.

Falta recorrente

Decepcionante ! Como de costume ele não veio. Vieram apenas suas palavras, em forma de carta, como se isso me consolasse. Que idiota ! Assim me percebo, em cada dia que fico a tua espreita, em cada infeliz e interminável espera. Você jamais virá ! Fico eu aqui, entregue, a mercê do tempo, ao vento, na chuva. Queria ter sido logo consumida pela incredulidade, mero desejo, somado a uma cadeia de tantos outros não realizados. Ligo a TV, desafiadora companhia, que estampa a cada programa, na minha cara, uma serie de relações perfeitas. A dor me consome, desligo. Não há mais diálogo, a solidão e o silêncio é o que me resta, isso não representa uma escolha mas uma condição. Não há esperança, nem tão pouco uma chance de um amanhã diferente. Então, o sono, sina dos mortais, me abate. Na cama, sozinha, me espalho sem desejar ver novamente o sol nascer.

Composições sem nexo

me perco no vão dos meus pensamentos
me alterno entre a dor, humor e amor
vôo em mim mesma e aterrisso num castelo de areia
desmorono, me consumo a sós
na companhia do silêncio, dos sussurros do vento
sinto a vida de mim se esvaindo
sinto os meus anseios se cessando
e a minha alma enfim, implora por um sopro renovador

...a morte.

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A caneta é mais poderosa que a espada.
Ana Laurentino. Tecnologia do Blogger.