Te vi, por isso escrevi



Cheguei em casa as três. Sem tirá-lo do pensamento.
Vaguei por ruas escrotas, relembrando a sua voz que tanto me excita.
O frio do vento, com o seu toque sútil de almofadas do céu, me fez tremer.
Mas nada comparado ao meu peito palpitante, que não conseguiu conter-se ao te ver.
Pareceu querer saltar, tornar-se suicida.
Tremendo loucamente, com a sua presença.
A sua presença tremia a minha mente, e então, eu já estava pertubada.

Eu não queria, mas tive de escrever.

A mente não fica quieta, o peito só pulsa, parece soluço.
Você do meu lado, sentou-se por acaso.
Soubesse ser eu a dona, teria logo dispersado do meu campo de visão.
Mantive as vistas altivas, olhar-te era fraquejar.

E hoje, só hoje, eu queria ser forte.

O espetáculo fez a sua parte. Anestesiou-me o desejo de te consumir.
Cabelos pouco arrumados, boca por beijar, cheiro a me enfeitiçar.
Quase tive um troço, uma pane total.
As cartas não me mostraram você, naquele lugar, tampouco como eu me sentiria.
Misturei a vontade de chorar, sorrir, gritar, devorar você.

“Acho que sou louca por eu ter um gosto assim, gostar de quem não gosta de mim.”

Não aguento mais ! Se te esqueço, o peito remexe, se revolta.
Ele te deseja, a todo custo.
Ele te deseja, já.
Ele te deseja, por inteiro.
“Pobre peito, o amor o tocou.”

Você passou por mim e por isso escrevi !

( )

Eu aqui querendo aprender a domar os meus pensamentos, quando tudo confunde a minha mente, cada vez menos compreensível. Excitação e euforia me conturbam o raciocínio, se algum dia eu já o tive. Como som de fundo Aerosmith e um eco interminável de palavras irritantes de alguém, que o vento assopra pela janela do meu quarto. Estou imersa em mim, numa súplica de paz que cesse meus conflitos espirituais e "pensamentais". Chego a pensar que não me conheço, o que é irreal. Nem todo o conhecimento impede que eu em diversos momentos me surpreenda com o que sinto. Mas preciso dos devaneios para a vida não perder a graça, mas preciso da loucura para me manter sã.

Infame Mente

Começando pelo fim, que se contorce entre palavras. Estamos no mundo, nosso, do qual a posse não detemos. A percepção humana então se dissipa entre egos inflados e capacidades subjugadas. Sem as mensuras exatas de limites e do bom senso, tem-se paciências testadas exaustivamentes, sem precedentes, sem um porquê. Por todos os lados, pessoas que extravasam o seus "quadrados", com suas línguas debeis e uma porção de pensamentos anexados de outras mentes, raramente criativas, raramente construtivas. A minha mente que não cessa, não deseja o meio termo, muito menos o fracasso e o título de vazia. Minha mente procria. Informações se chocam. As vezes você pode fazer tudo por si mesmo. O ruim é depender do que não é nosso, do nosso mundo. A minha mente se inflama, o desejo da mudança não cabe em si, não cabe no mundo, nem em mim. Para minha mente pobre é o fim. Pobre mente minha, perece, padece..

Dor de Amor

Não há dor de pulsos cortados,
não há amor de pulsos cortados.
A beleza da vida se esvai, agarradas ao amor e a dor.
Se a beleza não fosse maior que a dor, que vem junto com o amor,
talvez de pulsos cortados eu estivesse agora.
Mas a vida não me permite, o corte que estagna a dor, cessa também o amor.
Não, isso não me convém.

Espaço não preenchido

Sou praticante de uma arte, a arte do não saber viver.
A arte de manter-me vazia em meio a multidão.
Precipito-me sempre ao lançar-me feito pluma ao vento.
Repugno-me ao ver que a ansiedade atrapalhou-me os pensamentos.
Tenho sonhado com o que não tenho, sentindo-me mais incompleta a instante.
Desejo não ter mais desejos. Desejo permanecer-me só, sem sonhos !

Voo Involuntário

E eu que me dizia livre do mal que é gostar de alguém, mas numa das curvas bati. Bati em você e a minha cabeça, mudei de ideia quase que instantaneamente. Foi confuso e intrigante. Quase não me reconheci, era um sentimento novo em mim. O desejo de amar e me entregar se opondo com a minha mente sempre tão racional e metódica. Dei asas ao meu amor, ao meu ardor mais profundo. Se a dor vier me visitar a receberei com uma boa anfitriã mas a direi que a minha pensão está arrendada para o amor e que ela já não é bem vinda. O meu amor pôs suas asas de fora. Sem mais rodeios; perdi a pose e o controle.

Quem sou eu ?

Uma loucura sem fim.
Dos mais profundos desejos a meros impulsos ébrios. Assim será, até embriagar-me num poço de amor que aumente ainda mais a minha sede incessante de dar-me sempre mais a quem me dá valor.
Estou paciente, na espreita, na espera...

Canção da Torre Mais Alta

Que venha, que venha
A hora da paixão.

Tenho tido paciência,
Nunca esquecerei.
Temores e dores
Para os céus se foram.
E uma sede insana
Tolda as minhas veias

Que venha, que venha
A hora da paixão

Estou como o campo
Entregue ao olvido,
Crescido e florido
De joios, resinas
Ao bordão selvagem
Das mocas imundas.

Que venha, que venha
A hora da paixão

(Arthur Rimbaud - Uma temporada no inferno)

aspiração

O ruim é que alimento o desejo de esconder,
tudo aquilo que sinto sempre ao te ver.
Te desejo, te venero e te quero pra minha sina.

Quando o sonho acaba

Uma porção de sentimentos aleatórios
Uma multidão com uma eloquente oratória

Incessantemente gritam por algo que não vem,
o socorro inexiste
É uma nação perdida
Seu rumo foi roubado, seus sonhos extirpados

Quem os protegerá ?
Só restarão lágrimas sobre sangue
Um choro, em coro, eterno.

Respire e regue-se

Nem sempre a inspiração vem. Você se desespera, e então, busca informação para chegar até sua casa. Bate em sua porta freneticamente, não há nada que você queira mais do que reencontrá-la e gozar de um pouco de sua atenção. Ela aparentemente te ignora e você se entrega ao choro, se rende a circunstância. Fraco, sem esperanças e muito menos a tal da inspiração, que sequer te recebeu, retorna pra casa desejando nunca mais querer se inspirar. Você buscava incessantemente a cura para as feridas de um amor que já tinha partido. Com os olhos voltados para a estrada, para o caminho que o antigo amor tomara, não percebeu cuidou das próprias feridas, que perfuravam a sua mente. Em um súbito pensamento escapista, desejou morrer, mas um resquício de honra o manteve vivo. A sua barba crescia e você cada mais se desfigurava, já havia se despido do desejo pela vida. Foi quando uma pequena criança bateu em sua porta, não tinha uma das mãos, mas vendia quadros, que ela mesma pintava. Desejou não passar por isso, que esse momento não houvesse existido, foi demais para o seu ego se sentir inferior a uma criança. A curiosidade o corroeu, decidiu então comprar um dos quadros, com os últimos tostões que tinha, e assim fez. Para tanto, convidou a criança para entrar, pois estava intrigado da perseverança que tinha aquela criança. Para a sua surpresa, a criança era orfã, não tinha casa e vivia dos panos e madeiras velhas que coletava, dos quais produzia seus quadros. Sentiu-se novamente insignificante. Você se sentiu perturbado com o que via a sua frente, quando conseguiu parar e olhar para si. Perguntou então a criança de onde ela tirava ânimo a cada amanhecer nas ruas. Ela o respondeu sabiamente, dizendo a você que o seu passado, agora era apenas uma fonte de aprendizado, que o presente era o lugar para progredir e que estar vivo o bastava para se inspirar e estar preparado para amanhã estar ou não. Disse também que a alma é que é a alma do negócio, cuidar da sua própria árvore, ou seja, de si próprio, faz com que ela dê bons frutos e que um deles poode ser a inspiração que tanto procurou mas que só se entrega a quem tem sede de viver. Inspire, expire e dê mais um passo.

Traga-me cores

Sinceramente,

vou deixar a alegria me consumir. Não haverá espaços para as construções depressivas da minha mente, nem tão pouco de mentes alheias. Sairei das sombras, das quais construí e sob as quais por muitos anos vivi. Nego, tudo que me condena a dor e rejeito qualquer qualquer tipo de submissão da minha estima. Vou prezar pelos meus anseios, sem me esquecer dos do próximo que são inerentes aos meus. A felicidade é voluntária, mas não solitária.

Pintei meu mundo a cores, trouxe flores para todo dia regar. Junto as cores e flores, trouxe amores, para que a minha alegria possa amar, se entregar. Compilei a minha felicidade. Não pude mais esperar, mas se vier, se pinte e traga-me mais cores,

sinceramente.

O amor não sabe esperar

Ah, o amor não sabe contar:
Tem as horas como meses
Os dias como anos
e uma curta ausência pode equivaler a um vida.

Nascer, morrer, renascer e ainda progredir sem cessar, tal é a lei.
Use o tempo ao seu favor, não há obstáculos para quem sabe e quer caminhar.

Agora, é só o que temos

Quando todos estão sonhando com uma vida melhor
Neste mundo dividido pelo medo
Nós precisamos acreditar que há uma razão para estarmos aqui
Há uma razão para estarmos aqui ?

Estes são os anos que nos foram dados
Estes são os momentos
Estas são as horas
Vamos fazer o melhor de nossas vidas !

A sua

Desejo algo mais quente, um pouco mais de ardor
que me ames infinitamente
sempre me tenha, me tome pra si
me ame como um jovem inconsequente
queira me como um adulto decente.

que eu seja seu objeto de maior desejo
que seja eu o limite de sua sanidade
que eu esteja nos teus sonhos mais eróticos
que o meu corpo seja o inicio diário do prazer

que eu seja sua,
ainda que o tempo com tudo termine,
a sua alegria.

Erro de Português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena !
Fosse uma manhã de sol
O índio teria despido o português.

(Oswald de Andrade)

Pausa nos meus posts, para uma reverência.
A força da linguagem poética é imensurável, repassa e cria ideias que perduram pelos tempos.

Dívida Perdoada

só te peço que aceite o que te ofereço
não desejo nada mais que seu apreço
do seu amor já desisti a muito tempo
guarde a sua "sentimentália"
jamais pedi algo em troca
é um erro cobrar o amor que se devota.

Falta recorrente

Decepcionante ! Como de costume ele não veio. Vieram apenas suas palavras, em forma de carta, como se isso me consolasse. Que idiota ! Assim me percebo, em cada dia que fico a tua espreita, em cada infeliz e interminável espera. Você jamais virá ! Fico eu aqui, entregue, a mercê do tempo, ao vento, na chuva. Queria ter sido logo consumida pela incredulidade, mero desejo, somado a uma cadeia de tantos outros não realizados. Ligo a TV, desafiadora companhia, que estampa a cada programa, na minha cara, uma serie de relações perfeitas. A dor me consome, desligo. Não há mais diálogo, a solidão e o silêncio é o que me resta, isso não representa uma escolha mas uma condição. Não há esperança, nem tão pouco uma chance de um amanhã diferente. Então, o sono, sina dos mortais, me abate. Na cama, sozinha, me espalho sem desejar ver novamente o sol nascer.

Composições sem nexo

me perco no vão dos meus pensamentos
me alterno entre a dor, humor e amor
vôo em mim mesma e aterrisso num castelo de areia
desmorono, me consumo a sós
na companhia do silêncio, dos sussurros do vento
sinto a vida de mim se esvaindo
sinto os meus anseios se cessando
e a minha alma enfim, implora por um sopro renovador

...a morte.

Faça a sua história




A caneta é mais poderosa que a espada.

Chá



uma colher de chá para a dor,
que desobstrui e purifica a alma
chá para conversas prolongadas,
de papos intrigantes e incessantes

um pouco mais de chá, para se libertar
uma colher de chá para a vida
mais chá e mais alegria

(Ana Laurentino)

Tla



manter-se estático e não gozar dos prazeres ou desprezares da vida não é mesmo o meu tipo. também não faço o tipo louca sarcástica e completamente imprevisível. aprimoro-me a cada dia, na arte de ser um desencontro de ideias que se convergem numa personalidade pouco tênue. não sou uma camaleoa muito menos vivo numa metamorfose ambulante, apenas conspiro e aspiro ideias que vão se desenvolvendo, progredindo.

estou sempre na pista, baby !
e se um carro me atropelar sei que estarei pronta pra começar de novo.
starting again and again, whatever it means.
starting with the man in the mirror.

Rotulação

.
Estar mais evoluído que o outro é não questionar a postura alheia e sim compreender que o ser se molda cada vez melhor combinando bons e maus sucedidos ao desejo de aprender.
.

Para Zinho




inesquecível irresistível foi o gozar de sua companhia se me lembro logo vem um desejo irrefutável e inevitável de te rever de excitar-me com suas palavras sentir o singelo pairar dos seus olhos sobre os meus e acreditar que a felicidade é a capacidade de desejar diariamente ainda que distante alguém como você

Neste trecho é prescindível qualquer pontuação já que foi escrito em meio a um suspiro de boas recordações.

(Ana Laurentino)

Vida Imaginária




Quero uma âncora que me fixe, que me assegure do que sou, sem devaneios, sem mistérios. Chega de voos, desprendo-me de desejos ébrios e incontenções amorosas. Estou em busca de memórias eternas, capazes de me alçancar no tempo presente e num futuro decadente deste corpo que morrerá.

(Ana Laurentino)
Ana Laurentino. Tecnologia do Blogger.